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Tatu-bola, que inspirou o mascote da Copa de 2014, segue ameaçado de extinção

por Vicente Araújo

Símbolo da biodiversidade brasileira e conhecido mundialmente por inspirar o mascote “Fuleco”, da Copa do Mundo de 2014, o tatu-bola (Tolypeutes tricinctus) voltou ao centro das discussões ambientais no Brasil. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) dará início a um novo ciclo do PAN Tatá — Plano de Ação Nacional para a Conservação do Tamanduá-bandeira, Tatu-canastra e Tatu-bola — reforçando as estratégias de proteção dessas espécies.
Entre elas está o Tatu-bola, atualmente classificado como vulnerável à extinção.

Exclusivo da fauna brasileira, o tatu-bola ocorre em dois biomas: a Caatinga e o Cerrado. A espécie enfrenta ameaças crescentes relacionadas ao avanço do desmatamento, à degradação ambiental e à perda de habitat natural. Dados do PAN Tata indicam que o Tatu-bola já perdeu cerca de 50% de sua área original de ocorrência ao longo das últimas décadas.

Muito antes de ganhar projeção internacional como mascote da Copa do Mundo de 2014, o tatu-bola já era uma das principais bandeiras da Associação Caatinga na defesa da biodiversidade brasileira. A instituição cearense teve papel importante na mobilização que levou o animal a se tornar símbolo do Mundial realizado no Brasil, utilizando a visibilidade do evento esportivo para ampliar o debate sobre a preservação da Caatinga e das espécies ameaçadas de extinção.

A relação entre a ONG e o tatu-bola nasceu a partir das ações de conservação desenvolvidas na Reserva Natural Serra das Almas, área localizada entre os estados do Ceará e Piauí, gerida pela Associação Caatinga, e considerada uma das poucas regiões onde a espécie ainda pode ser encontrada na natureza. Foi desse trabalho de preservação que surgiu a proposta de transformar o animal em mascote da Copa.

Segundo a Associação Caatinga, a escolha buscava chamar atenção para a importância da conservação da Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro e um dos mais ameaçados do país. O comportamento característico do tatu-bola, que se enrola completamente como mecanismo de defesa, também contribuiu para a escolha do animal, posteriormente batizado de “Fuleco”.

À época, a campanha liderada pela entidade ganhou grande repercussão nas redes sociais e ajudou a fortalecer o debate sobre conservação ambiental, espécies ameaçadas e proteção dos habitats naturais do semiárido brasileiro. O tatu-bola passou a representar não apenas o futebol, mas também a luta pela preservação da fauna brasileira.

Mesmo após mais de uma década da Copa do Mundo, o cenário ainda preocupa especialistas e ambientalistas. A expectativa em torno do novo plano nacional de conservação reforça a necessidade de ampliar ações de proteção da Caatinga e do Cerrado, considerados fundamentais para a sobrevivência da espécie.

“Ver o tatu-bola novamente no centro das discussões ambientais é fundamental para reforçar a urgência da conservação da espécie. Apesar de toda a visibilidade conquistada nos últimos anos, o animal continua ameaçado pela perda de habitat e pela degradação da Caatinga e do Cerrado. Proteger o tatu-bola é também proteger a biodiversidade brasileira e os ecossistemas onde ele vive”, destaca Daniel Fernandes, diretor-executivo da Associação Caatinga.

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