O Brasil registrou uma redução de cerca de 21% na área desmatada em 2025, alcançando o menor índice dos últimos anos e ficando abaixo de 1 milhão de hectares de vegetação nativa suprimida pela primeira vez desde o início da série histórica do MapBiomas Alerta, em 2019. Os dados fazem parte do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), divulgado pela iniciativa MapBiomas.
Embora o RAD tenha apontado uma redução do desmatamento, o relatório evidencia que o desmatamento continua sendo um dos principais desafios para a conservação dos biomas brasileiros. Na Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, a diminuição da área desmatada representa um avanço, mas ainda exige o fortalecimento de políticas públicas, da fiscalização e de iniciativas voltadas à conservação e à recuperação de áreas degradadas.
No Nordeste, o levantamento reforça que a proteção da Caatinga permanece como uma prioridade. O bioma concentra a maior parte dos alertas de supressão de vegetação nativa da região e desempenha um papel fundamental na conservação da biodiversidade, na segurança hídrica, na regulação do clima e na manutenção dos modos de vida das populações do Semiárido.
No Ceará, o cenário reforça essa preocupação. O estado ocupou a 4ª posição entre os estados brasileiros com maior número de alertas de desmatamento, totalizando 4.584 registros em 2025. Apesar da redução de aproximadamente 23% em relação ao ano anterior, no Ceará, foram registrados 27.077 hectares de vegetação nativa desmatados, sendo 100% dessa supressão na Caatinga. O levantamento aponta ainda que cerca de 78% da área desmatada no estado apresenta fortes indícios de irregularidade, segundo análise do MapBiomas Alerta. Outro ponto importante: das três UCs (Unidades de conservação) que apresentaram maior desmatamento no Brasil, duas estão no Ceará.
Entre os municípios cearenses, Barro registrou a maior área desmatada em 2025. Em outro recorte divulgado pelo MapBiomas, o Ceará também lidera o desmatamento de áreas de restinga no Brasil, com destaque para os municípios de Cruz, Camocim e Aquiraz.
Para o diretor executivo da Associação Caatinga, Daniel Fernandes, os resultados mostram que, apesar dos avanços registrados no País, a conservação da Caatinga ainda demanda esforços contínuos.
“A redução do desmatamento é uma notícia importante e demonstra que os esforços de monitoramento, fiscalização e conscientização podem gerar resultados concretos. No entanto, os números mostram que a Caatinga continua sob forte pressão. Precisamos ampliar as ações de conservação, fortalecer as áreas protegidas, promover a restauração ambiental e incentivar atividades produtivas compatíveis com a conservação do bioma”, declara Daniel.
