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Lula associa visita de Flávio a Trump à ameaça de novo tarifaço: “São traidores da pátria”

por Vicente Araújo

O presidente Lula (PT) associou, nesta terça-feira (2), a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) junto ao governo dos Estados Unidos à ameaça de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Ao comentar a proposta apresentada pelo governo norte-americano, Lula fez duras críticas ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que integrantes da família estariam atuando contra os interesses do Brasil.

“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele e são, na verdade, vendilhões da pátria”, declarou Lula durante evento público. O presidente também afirmou que considera os envolvidos “traidores” por, segundo ele, buscarem apoio estrangeiro em questões relacionadas ao cenário político e econômico brasileiro.

A declaração ocorre um dia após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluir uma investigação que poderá resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida ainda não entrou em vigor e passará por consulta pública e negociações diplomáticas antes de uma decisão definitiva, prevista para julho.

Mais tarde, durante evento em Catalão (GO), Lula reforçou a defesa do Pix brasileiro como um modelo de pagamento eletrônico mais vantajoso que sistemas de empresas estadunidenses que prestam esses mesmos serviços. O presidente, inclusive, carregou um cartaz que dizia: “o Pix é do Brasil!”.

“O Pix assusta eles”, disse Lula, contando que sugeriu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que adote o mesmo sistema no país norte-americano

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) atacou o sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central argumentando que o Pix prejudica “injustamente” empresas como a MasterCard, Visa e o Whatsapp Pay. O Pix, com sua infraestrutura pública e gratuita, tem movimentado mais recursos que as bandeiras de cartões de crédito tradicionais.

“A preocupação dos americanos é que o Pix pode abalar muito as empresas do cartão de crédito deles que estão aqui no Brasil. Acham que o Pix vai acabar com isso; e o Pix vai acabar mesmo, porque o Pix é de graça e é público e ninguém paga nada. É só clicar o Pix e tá resolvido o nosso problema”, afirmou.

Flávio Bolsonaro se reuniu com Trump

Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro esteve em Washington, onde participou de encontros com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além do vice-presidente J.D. Vance e do secretário de Estado, Marco Rubio. Após a viagem, o senador afirmou ter solicitado diretamente às autoridades norte-americanas que não fossem impostas tarifas contra empresas brasileiras. Segundo Flávio, o pedido foi feito durante todas as reuniões realizadas na capital americana.

A visita ganhou repercussão após a divulgação do relatório do USTR, que apontou supostas práticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano e sugeriu novas restrições comerciais.

EUA avaliam nova tarifa sobre produtos brasileiros

A investigação conduzida pelo governo dos Estados Unidos cita temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal. O relatório concluiu que determinadas políticas brasileiras seriam “irrazoáveis” e poderiam restringir empresas norte-americanas.

Apesar da proposta de tarifa adicional de 25%, diversos produtos estratégicos ficaram fora da lista preliminar, incluindo carne bovina, café, frutas, minerais, metais e peças aeronáuticas.

Governo busca negociação

O governo brasileiro tem defendido a continuidade das negociações com Washington para evitar a adoção de novas barreiras comerciais. Em maio, Lula afirmou ter acertado com Trump a criação de um grupo de trabalho entre os dois países para discutir as divergências comerciais e buscar uma solução negociada para o impasse tarifário.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é intempestiva já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou justamente que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.

Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi de US$ 415 bilhões.

Lula ainda cobrou um telefonema de Trump para explicar as razões para a recomendação da USTR. “Você me deve uma reunião e eu devo uma para você, porque nós demos 30 dias para os nossos ministros negociarem. Então, eu estou esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência, porque esse acordo não pode ter a sua anuência”, disse o brasileiro.

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