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“Eu faço um luto de mãe viva”: avanço do Alzheimer reacende debate sobre impacto emocional da doença e importância do cuidado especializado

por Vicente Araújo

O Alzheimer voltou ao centro das discussões sobre saúde e envelhecimento após a estreia da nova temporada do programa Tempo Rei, comandado por Leilane Neubarth. O episódio trouxe relatos emocionantes de familiares que convivem diariamente com a doença e evidenciou uma realidade silenciosa vivida por milhares de brasileiros: o desgaste emocional, físico e psicológico de quem cuida de idosos com demência.

“O paciente vai mudando aos poucos, e a família sente como se estivesse perdendo aquela pessoa em vida”, relatou uma das entrevistadas do programa, ao definir o processo como “um luto de mãe viva”.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil já soma cerca de 1,2 milhão de pessoas vivendo com demência, sendo o Alzheimer responsável por aproximadamente 60% a 70% dos casos. O país registra cerca de 100 mil novos diagnósticos por ano, enquanto a Organização Mundial da Saúde projeta que o número de pessoas com demência deve triplicar até 2050 em todo o mundo.

Além dos impactos cognitivos e da perda progressiva da memória, especialistas alertam para os efeitos emocionais que a doença provoca nas famílias, principalmente em cuidadores que enfrentam longas jornadas de dedicação, mudanças de comportamento dos pacientes e sobrecarga mental.

Dentro desse cenário, cresce a busca por alternativas que promovam não apenas assistência ao idoso, mas também suporte emocional e funcional às famílias. Em Fortaleza, o Clube de Terapia, pioneiro no Ceará no modelo centro-dia, atua com acompanhamento especializado voltado a idosos com Alzheimer, declínio cognitivo leve e outras demências.

O espaço oferece rotina estruturada com atividades físicas orientadas, oficinas de memória, estímulos cognitivos, socialização guiada e musicoterapia aplicada predominantemente em grupo, estratégias que ajudam na preservação das funções cognitivas e contribuem para a qualidade de vida.

De acordo com Josiane Araújo, sócia-fundadora do Clube de Terapia, a previsibilidade e os estímulos constantes fazem diferença significativa na rotina dos pacientes.

“O Alzheimer afeta toda a família. Quando o idoso consegue manter uma rotina organizada, interação social e atividades direcionadas, isso contribui não apenas para o bem-estar dele, mas também para reduzir a sobrecarga emocional dos familiares”, destaca.

Para Marcelo Niza, sócio do Clube de Terapia, o cuidado com pacientes diagnosticados com Alzheimer exige um olhar cada vez mais humano, multidisciplinar e acolhedor.

“Hoje, falar sobre Alzheimer também é falar sobre saúde emocional das famílias. Muitas vezes o cuidador adoece junto no processo. Por isso, oferecer acolhimento, rotina, estímulo e suporte especializado faz diferença não apenas para o paciente, mas para toda a dinâmica familiar”, afirma.

A musicoterapia também vem sendo utilizada como ferramenta de conexão emocional e resgate de memórias afetivas, favorecendo interação, acolhimento e estímulo cognitivo.

Com o aumento da expectativa de vida da população brasileira, especialistas reforçam que discutir Alzheimer deixou de ser apenas uma pauta médica e passou a ser também uma questão social, emocional e de saúde pública.

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