Início » Cimento Apodi aproxima indústria e academia para transformar desafios reais em soluções de inovação

Cimento Apodi aproxima indústria e academia para transformar desafios reais em soluções de inovação

por Vicente Araújo

O desafio de tornar a indústria mais eficiente e sustentável pode começar dentro de uma fábrica, mas a solução pode nascer em uma universidade. Essa conexão está no centro da estratégia de inovação da Cimento Apodi, que vem aproximando suas necessidades industriais de estudantes, pesquisadores e instituições de ensino para transformar problemas reais da operação em oportunidades de desenvolvimento tecnológico. Um exemplo recente foi a participação de cinco projetos selecionados por meio de edital conjunto com a UFC Inova no III Congresso Apodi de Sustentabilidade e ESG, realizado em agosto deste ano. As propostas foram escolhidas pelo potencial de aplicação em sustentabilidade, inovação e descarbonização da indústria cimenteira.

Entre as iniciativas apresentadas no congresso, o projeto Ecolenha – Transformando Plantas Aquáticas em Energia Limpa para Descarbonização da Indústria Cimenteira – foi selecionado em primeiro lugar e seguirá para o Programa de P&D da Apodi. A partir de agora, a equipe responsável dará início à elaboração de um plano de negócios, que passará por análises técnica e financeira.

A Ecolenha propõe transformar macrófitas aquáticas invasoras, como o aguapé (Eichhornia crassipes) e a taboa (Typha angustifolia), em briquetes de biomassa com alto desempenho energético. A proposta é utilizar o material como alternativa parcial à lenha convencional e a outros combustíveis sólidos empregados em processos industriais, associando o aproveitamento de espécies invasoras à busca por soluções de menor impacto ambiental para a indústria cimenteira.

A escolha representa justamente a lógica que orienta a aproximação entre a Apodi e o ecossistema acadêmico: identificar desafios concretos do setor produtivo e criar caminhos para que conhecimento e pesquisa possam avançar até aplicações capazes de gerar impacto real.

Mais do que levar pesquisas para dentro de um evento empresarial, a iniciativa cria uma ponte entre quem conhece os desafios da indústria e quem está desenvolvendo conhecimento e tecnologia para enfrentá-los. Os projetos foram apresentados em formato de pitch (apresentação curta e objetiva) a representantes da indústria, pesquisadores e especialistas, ampliando as possibilidades de conexão entre pesquisa, aplicação e mercado.

Para a Cimento Apodi, esse movimento faz parte de uma lógica de inovação que começa pela identificação de necessidades concretas. Em vez de buscar apenas tecnologias prontas, a companhia abre seus desafios para o ecossistema de conhecimento, criando oportunidades para que estudantes e pesquisadores desenvolvam soluções aplicáveis ao setor produtivo.

“O que queremos é aproximar cada vez mais a pergunta da indústria da capacidade de resposta da academia. Quando colocamos um desafio real diante de estudantes e pesquisadores, criamos um ambiente em que o conhecimento pode ser testado, aprimorado e transformado em uma solução. Isso beneficia a indústria, mas também fortalece a formação de talentos e cria possibilidades para que pesquisas avancem para aplicações e novos negócios”, afirma Hilberto Feitosa, diretor Industrial da Cimento Apodi.

Um dos principais exemplos dessa dinâmica começou em 2019, quando a Apodi estabeleceu uma parceria com a Universidade Federal do Ceará, campus de Russas, para desenvolver uma solução voltada a um desafio específico da operação: otimizar o funcionamento de um moinho de cimento na unidade do Pecém. O projeto reuniu engenheiros da companhia e estudantes de Engenharia de Software, Ciências da Computação e Engenharia de Produção durante 12 meses, com apoio da área de tecnologia do Grupo Titan, acionista da empresa.

A partir desse desafio, foi desenvolvido um sistema de inteligência artificial capaz de acompanhar variáveis do processo e indicar configurações mais eficientes para a operação. A solução evoluiu ao longo dos anos e atualmente analisa 276 variáveis, processando mais de 2 milhões de combinações a cada 30 segundos. O sistema já foi expandido para os moinhos de Quixeré e integra a estratégia de digitalização da companhia.

Os resultados obtidos mostram o potencial dessa aproximação. A aplicação da inteligência artificial contribuiu para aumento de até 13% na produtividade, crescimento de até 10% na capacidade instalada, redução dos custos de produção e menor consumo de energia, água e combustíveis fósseis, além da redução das emissões de gases de efeito estufa.

Segundo Gerson Ribeiro, coordenador de Automação e Digitalização da Cimento Apodi, a tecnologia também cria uma nova dinâmica dentro da operação. “A inteligência artificial aprende com o passar do tempo e melhora sua performance quando é treinada. Com isso, os profissionais passam a atuar de maneira mais analítica, acompanhando os dados, avaliando os resultados e contribuindo para a evolução contínua da tecnologia e da produção”, afirma.

Um laboratório de inovação dentro da indústria
A experiência da Apodi mostra como a indústria tradicional pode funcionar como um laboratório para o desenvolvimento de novas tecnologias. Nesse modelo, o problema deixa de ser apenas uma questão interna da empresa e passa a ser também uma oportunidade de pesquisa, experimentação e formação.

Nos últimos dois anos, a companhia investiu mais de R$ 6 milhões em digitalização e inteligência artificial, dentro do programa Apodi 4.0. Entre as soluções estão visão computacional para prevenção de riscos em ambientes de segregação homem-máquina, inteligência artificial para previsão de resistência do cimento integrada ao sistema de gestão da qualidade e virtualização de sistemas.

O movimento também amplia o espaço para a formação de profissionais preparados para uma indústria cada vez mais tecnológica. Ao trabalhar sobre problemas reais, estudantes e pesquisadores entram em contato com processos, dados e demandas que dificilmente seriam reproduzidos apenas no ambiente acadêmico.

“A indústria pode ser um espaço de aprendizado e experimentação. Quando abrimos nossos desafios para a academia, não estamos apenas procurando uma resposta para uma necessidade da empresa. Estamos ajudando a criar conhecimento aplicado, aproximando estudantes do mercado e estimulando que boas ideias avancem para além da universidade”, explica Hilberto.

A aproximação entre academia e indústria também pode contribuir para o surgimento de novas soluções e negócios. A partir de um problema produtivo, uma pesquisa pode evoluir para uma tecnologia, uma aplicação pode ser testada em escala industrial e, posteriormente, encontrar outros mercados e usos.

You may also like

Deixe um comentário

Este site utiliza cookies para melhorar sua experiência. Presumiremos que você concorda com isso, mas você pode cancelar se desejar. Aceitar Saiba mais