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Livro de partituras do compositor Luizinho Duarte será lançado dia 15 de julho, às 18 horas na Escola Pública de Música Cristiano Pinho da Vila das Artes

por Vicente Araújo

Idealizado pelo flautista Heriberto Porto, fundador da Marimbanda ao lado de Luizinho Duarte em 1999, e pela produtora Rosina Popp, o projeto do Songbook  traz ao público, pela primeira vez, parte significativa da obra desse grande compositor cearense. A publicação representa um importante passo para a preservação e difusão de seu legado, colocando suas composições ao alcance de instrumentistas, professores, estudantes e pesquisadores, além de contribuir para ampliar o repertório, estimular os estudos e inspirar a criatividade de músicos de todo o país.

A Marimbanda — formada por Heriberto Porto (flautas), Netinho de Sá (baixo), Thiago Almeida (arranjos, piano e escaleta) e Michael da Silva (bateria) — apresentará, no dia 15 de julho, na ocasião do lançamento na Escola Pública de Música Cristiano Pinho, o repertório do livro de partituras de Luizinho Duarte. O concerto é voltado a músicos, professores, estudantes e ao público em geral, celebrando o lançamento da publicação e a difusão da obra de um dos mais queridos músicos do Ceará.

Para este songbook de Luizinho Duarte, foram selecionadas 20 músicas gravadas pela Marimbanda em seus quatro álbuns lançados: Marimbanda (2001), Tente Descobrir (2005), Caminhar (2020) e Lindo Sol (2024). Nos três primeiros discos, Luizinho deixou sua marca inconfundível, como baterista, arranjador e compositor.

O songbook conta com apresentação do jornalista e músico Dalwton Moura e textos de Heriberto Porto. Além das partituras, a publicação traz QR Codes que dão acesso às gravações originais da Marimbanda, permitindo que músicos, estudantes e professores conheçam as interpretações de referência de cada obra. Como parte da proposta de democratização do acesso, também serão produzidos exemplares em braile, que serão doados a músicos cegos.

Luizinho Duarte era um compositor de muitas faces. Transitava com naturalidade por diversos gêneros, sobretudo os brasileiros — samba, choro, baião, frevo, forró e bossa nova —, mas não se limitava a eles. Volta e meia, surpreendia com um tango, uma canção afro-caribenha, como Tente Descobrir, uma valsa-jazz, como Num Domingo de Valsa, além de funks como Feito Assim e Lindo Sol, presentes na publicação.

No processo de catalogação de sua obra, realizado por Karine Teles na Universidade Estadual do Ceará, foi possível perceber que suas motivações composicionais dialogavam diretamente com os ciclos de sua vida pessoal. O nascimento do filho Joaquim, por exemplo, deu origem a peças como Cantiga de Ninar e Joaquim no Choro, assim como a formação de novos grupos musicais inspirou criações como Pra Começar, composta para a bigband Metalira. Ao mesmo tempo, acontecimentos cotidianos, como a chuva evocada em Choro na Chuva, e estados emocionais, como os expressos em Momento Difícil, atravessam sua produção de maneira muito orgânica.

Durante a pesquisa mencionada, foram identificadas, até 2016, 596 peças, abrangendo diferentes gêneros e formações. Esse conjunto revela a dimensão de um legado sólido e expressivo para a música popular cearense e brasileira.

Para além de ser um compositor extremamente produtivo, com uma obra vasta que atravessa inúmeros gêneros — incluindo também a canção —, o que mais chama atenção é a forma como sua música nos alcança. São melodias fortes, diretas e acessíveis, que se fixam na memória com naturalidade. Suas composições parecem nascer já revestidas de um caráter de permanência: carregam em si a força dos clássicos, verdadeiros standards da música brasileira, reunidos neste songbook.

Este projeto tem o apoio do Ministério da Cultura e da Secretaria da Cultura do Ceará, com recursos provenientes da lei federal n.º 14.399 de julho de 2022.

 

Luizinho Duarte

Luizinho Duarte (1954–2022) é um dos mais importantes compositores e músicos da história do Ceará. Instrumentista, arranjador, professor e compositor, construiu uma trajetória de cinco décadas dedicada à música, deixando um legado de mais de 560 obras catalogadas, além de muitas outras ainda inéditas. Autodidata, desenvolveu uma linguagem própria, profundamente enraizada na música brasileira e nordestina, sem abrir mão de uma visão universal. Sua obra dialoga com mestres como Dorival Caymmi, Severino Araújo, Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Zimbo Trio e Hermeto Pascoal, revelando uma escrita marcada por melodias memoráveis, riqueza rítmica e grande originalidade.

Sua carreira ganhou projeção no Ceará na década de 1980 e, nos anos 1990, no Rio de Janeiro, onde trabalhou ao lado de artistas como Maria Bethânia, Tim Maia, Elza Soares, Leila Pinheiro, Johnny Alf e Zezé Motta. Incentivado por músicos como Adriano Giffoni e Jorge Helder, iniciou sua intensa atividade como compositor. De volta ao Ceará, fundou a Marimbanda, grupo que se tornou o principal intérprete de sua obra e uma das maiores fontes de inspiração para sua criação. Embora tenha composto sambas, choros, baiões, frevos e bossas, sua produção percorre dezenas de gêneros musicais, formando um catálogo de extraordinária diversidade e reafirmando a riqueza da música popular brasileira.

Além da intensa atividade artística, Luizinho dedicou grande parte de sua vida à formação de novas gerações de músicos. Ministrou oficinas, participou de festivais e colaborou com diversos projetos de ensino no Ceará, tornando-se uma referência pela generosidade, criatividade e compromisso com a educação musical. Suas composições foram gravadas por inúmeros artistas, entre eles Adriano Giffoni, Roberto Marques, Spok Frevo Orquestra, Michael Pipoquinha, Cainã Cavalcante e Grupo Syntagma, mas foi na Marimbanda que sua obra encontrou sua expressão mais constante e profunda. Sua trajetória permanece como um dos mais importantes legados da música instrumental cearense e brasileira.

Serviço:

Lançamento do songbook do compositor Luizinho Duarte

Pocket show da Marimbanda

Local: Escola Pública de Música Cristiano Pinho da Vila das Artes

Endereço: Rua Padre Piamarta, nº 262, no bairro Bom Futuro ( antigo Piamarta Montese) Regional 4,  Fortaleza.

Dia: 15 de julho

Hora: 18hs

Entrada Livre

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