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Uso estético x uso médico: nutrólogo alerta sobre os limites dos anabolizantes e riscos à saúde

por Vicente Araújo

O crescimento da busca por resultados rápidos no corpo e na performance física tem colocado os anabolizantes novamente no centro dos debates sobre saúde e bem-estar. Especialistas alertam que a diferença entre o uso médico e o uso abusivo dessas substâncias é um ponto essencial, e muitas vezes ignorado por quem recorre a protocolos sem orientação profissional.

De acordo com o nutrólogo Dr. Victor Camarão, o principal risco está na banalização do uso de hormônios fora de critérios clínicos. “Existe uma linha muito clara entre tratamento médico e uso indiscriminado. Quando há indicação terapêutica, o acompanhamento é rigoroso e individualizado. Já o uso indiscriminado sem avaliação adequada pode gerar desequilíbrios hormonais, alterações metabólicas e impactos físicos e psicológicos que nem sempre são reversíveis”, explica.

Dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia apontam que o uso indiscriminado de anabolizantes está associado a alterações importantes no colesterol, resistência à insulina e aumento do risco cardiovascular, mesmo em pessoas jovens e aparentemente saudáveis. Estimativas indicam que cerca de 6,4% dos homens já utilizaram essas substâncias, número que tende a ser maior entre frequentadores de academias.
Estudos nacionais também mostram que a prevalência do uso pode variar entre 2,1% e 31,6% entre praticantes de exercícios recreativos, evidenciando o avanço do tema dentro do universo fitness e a necessidade de informação segura.

Segundo Dr. Victor Camarão, o problema não está apenas na substância, mas na forma como ela é utilizada. “Muitas pessoas enxergam os anabolizantes como atalhos para estética e performance, sem entender que o organismo responde de forma complexa. O acompanhamento médico existe justamente para avaliar riscos, exames e contexto clínico, evitando que a busca por resultados rápidos comprometa a saúde no longo prazo”, ressalta.

O nutrólogo destaca ainda que a pressão estética e a influência das redes sociais têm ampliado a procura por protocolos prontos, o que pode aumentar complicações hormonais e metabólicas. A orientação dos especialistas é que qualquer intervenção envolvendo hormônios seja baseada em critérios médicos claros e jamais em tendências ou indicações informais.

O debate sobre o uso responsável dessas substâncias reflete uma mudança no comportamento da sociedade, que busca performance e resultados rápidos, mas também exige cada vez mais informação qualificada e decisões conscientes quando o assunto é saúde.

Foto: Internet

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