Muitos desses casos são acompanhados pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, a Abraji. Letícia Kleim, coordenadora jurídica da entidade, em entrevista à Universidade de Fortaleza (Unifor), instituição mantida pela Fundação Edson Queiroz, comentou que a entidade realiza acompanhamento dos casos por meio do Monitor de Assédio Judicial contra Jornalistas. No relatório mais recente, foram 784 processos desde 2008. O ano de 2020 foi o momento em que houve uma disparada nos casos, com 270 registros, sendo o maior em toda a série histórica.
Esse efeito silencioso apontado por Mariana Dionísio encontra respaldo nas lacunas do próprio ordenamento jurídico brasileiro. Apesar de o Artigo 80 do Código de Processo Civil/2015 prever sanções para a litigância de má-fé, incluindo a alteração da verdade dos fatos e o uso do processo para fins ilícitos, a prática mostra que a aplicação dessas normas é lenta e insuficiente.
O papel fundamental da advocacia
A advocacia desempenha um papel fundamental na prevenção da instrumentalização do Judiciário para fins intimidatórios. As escolhas éticas e legais determinam se essa atuação fortalece o jogo democrático, ao proteger a liberdade de expressão e o interesse público, ou se acaba contribuindo para o silenciamento de vozes críticas.
Em resposta à Universidade de Fortaleza, Júlio Bezerra Leite, presidente do Tribunal de Prerrogativas e Valorização da Advocacia da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Ceará (OAB-CE), destacou que a advocacia é uma profissão constitucional e, portanto, diferente das demais pela própria previsão constitucional que possui e que tem por norte maior participar da defesa do Estado Democrático de Direito.
