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Saúde mental no trabalho entra no radar das empresas com nova norma e aumento de 68% nos afastamentos

por Vicente Araújo

O Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a prevenção ao suicídio e promoção do bem-estar emocional, chama atenção para um dado alarmante no ambiente corporativo: segundo o Ministério da Previdência Social, somente em 2024 foram registrados 472 mil afastamentos por transtornos mentais, um aumento de 68% em relação ao ano anterior.

A crise de saúde mental no trabalho já é reconhecida pela legislação brasileira. A Norma Regulamentadora nº 01 (NR-01) passou a incluir os riscos psicossociais no gerenciamento de segurança e saúde ocupacional, estabelecendo que as empresas devem adotar medidas para identificar e mitigar fatores que afetam diretamente a saúde mental dos trabalhadores. Entre os pontos críticos estão jornadas prolongadas, metas excessivas, assédio moral, ambientes hostis, falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional e ausência de canais de escuta e acolhimento.

Essas práticas não são apenas exigências legais, mas também estratégias de prevenção. Empresas que investem em políticas claras de saúde mental, treinamentos para lideranças e canais de apoio reduzem afastamentos, fortalecem a produtividade e promovem um ambiente de trabalho mais humano e seguro.

Para o advogado trabalhista Dr. Herton Parente, sócio da Parente Advogados, a adequação das empresas é urgente: “A legislação avança ao reconhecer a saúde mental como parte da segurança do trabalho, mas é fundamental que as empresas entendam que não se trata apenas de cumprir uma norma. É uma oportunidade de proteger vidas, reduzir passivos trabalhistas e construir ambientes corporativos sustentáveis. O cuidado com a saúde emocional deve ser visto como investimento, e não como custo.”

O Setembro Amarelo reforça que a criação de espaços de trabalho saudáveis não substitui tratamento médico ou psicológico, mas pode ser decisiva na prevenção do sofrimento e no incentivo à busca por ajuda. Mais do que uma campanha de um mês, é um compromisso que precisa ser contínuo, e que agora também se conecta a uma exigência legal que impacta diretamente a gestão das empresas.

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