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Prontuário afetivo é implantado no HRVJ e destaca particularidades de pacientes internados

por Vicente Araújo

A interação com o paciente hospitalar vai além da terapêutica, do manejo e da administração de medicamentos. Na rede da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), envolve também afeto e humanização. Nesse contexto, o Hospital Regional Vale do Jaguaribe (HRVJ), em Limoeiro do Norte, implantou o “Prontuário Afetivo”, destacando gostos e informações pessoais do paciente, com o objetivo de humanizar a internação.

A ação, pensada pelo Núcleo de Experiência do Paciente (Nexp) da unidade, tem o objetivo de auxiliar o paciente no resgate do ser sadio e de sua subjetividade, proporcionando acolhimento social, familiar e viabilizando a sensibilização da equipe multiprofissional.

Nivaldo Donizetti Barbosa, de 59 anos, é um dos pacientes internados na clínica médica com prontuário afetivo. O autônomo e morador de Paracuru avalia a iniciativa. “Remete a lembranças, remete a afetividade, como o próprio nome diz, então eu acho muito interessante. Porque alguém que venha nos visitar, ou até mesmo um profissional, ele olha no prontuário e sabe um pouco da intimidade do paciente. Então, provavelmente, ele já vai saber mais ou menos como a pessoa age”, explica.

Ação é pautada pela humanização do paciente

Subjetividades e afetos

Projeto foi implantado nas clínicas médica e psiquiátrica

A coordenadora do serviço de psicologia do HRVJ, Aline Franco, lembra que o prontuário promove a humanização do cuidado, resgatando a subjetividade do paciente e reconhecendo sua história, afetos e singularidade, para além do adoecimento.

No prontuário afetivo de Nivaldo, por exemplo, constam informações que não são registradas no prontuário eletrônico, como o apelido, “Paulista”, que provém do fato de que ele é natural de Pirassununga, interior do estado de São Paulo. Além disso, mostra o seu lugar preferido que é Saint Martin, uma ilha do Caribe, onde atuou como funcionário de um grande hotel. Outra curiosidade do torcedor do São Paulo é que ele gosta de cozinhar, pescar no mar e tem uma gatinha chamada Bolacha, bem como gosta de músicas sertanejas.

Segundo o coordenador do Serviço Social da unidade, Leandro Monteiro, por meio da atividade, constata-se que os vínculos entre paciente, familiares e equipes de saúde são reforçados, sendo benéfico ao tratamento e período de hospitalização. “Com a realização da atividade, é possível atuar diante de manifestações psíquicas, sociais e comportamentais do paciente, tais como a ‘despessoalização’, isolamento e sensação de abandono, manifestações comuns em pacientes com um longo período de hospitalização”, destaca.

Além disso, o profissional ainda pondera que o dispositivo contribui para o fortalecimento dos recursos de enfrentamento do paciente. “Ações como essa interferem diretamente na forma como o paciente compreende o adoecimento e ressignifica a vivência atual, surgindo também como contribuição efetiva para o cuidado aos pacientes, como forma de sensibilizar a equipe diante do de quem requer cuidados paliativos, por exemplo, além de proporcionar aos mesmos e seus familiares, acolhimento, escuta e humanização com seu ambiente familiar”, completa.

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