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Novembro Roxo: Especialista aponta cuidado humanizado aos recém-nascidos

por Vicente Araújo

No Brasil, o mês de novembro foi oficialmente instituído como o Novembro Roxo, campanha nacional de conscientização sobre prematuridade, após a sanção da Lei nº 15.198/2025, que estabelece o dia 17 de novembro como Dia Nacional da Prematuridade. A condição é considerada um desafio crescente de saúde pública. Segundo dados do Ministério da Saúde, o país está entre os dez com maiores índices de nascimentos prematuros no mundo, registrando uma proporção entre 11% e 12% dos partos. A ampliação de políticas de prevenção, estrutura hospitalar adequada e práticas de cuidado contínuo reduzem riscos e sequelas associadas aos nascimentos antes de 37 semanas de gestação.

Os fatores de risco para prematuridade são diversos e envolvem condições clínicas maternas, como hipertensão gestacional, diabetes, infecções e doenças autoimunes, além de influências sociais e ambientais. Entre eles, estão assistência pré-natal insuficiente, gestação na adolescência ou acima dos 35 anos, exposição a situações de estresse e desigualdades que afetam mais fortemente regiões com menor cobertura de saúde. O cuidado humanizado ao recém-nascido prematuro começa ainda durante a gestação, com acompanhamento qualificado, e segue após o nascimento com protocolos que garantem acolhimento e suporte integral à família.

Para a médica neonatologista Dra. Tereza Lucia, do Oto Meireles, valores como atenção individualizada e integração de equipes são determinantes para o desenvolvimento do bebê. “Quando oferecemos cuidado humanizado desde a sala de parto, com estímulo ao contato pele a pele, apoio à amamentação e participação ativa da família, favorecemos uma transição mais segura e fortalecemos o vínculo parental”, afirma. Ela reforça a importância da atuação conjunta de profissionais especializados. “É necessário que neonatologia, enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia e outros setores trabalhem de forma coordenada, garantindo que o recém-nascido receba estímulos adequados e que a família esteja preparada para acompanhar o tratamento dentro e fora do hospital.”

Além das práticas de humanização, avanços tecnológicos têm contribuído para melhores resultados na assistência a bebês prematuros. De acordo com a Dra. Tereza Lucia, ferramentas modernas de monitoramento, ventilação menos invasiva e protocolos atualizados ajudam a reduzir complicações e ampliar a segurança clínica. “A tecnologia, quando bem integrada à rotina assistencial, permite intervenções mais precisas, reduz o risco de lesões e melhora indicadores de recuperação. O uso combinado de recursos tecnológicos e práticas humanizadas potencializa o cuidado e diminui a chance de sequelas futuras”, complementa.

A campanha Novembro Roxo reforça a importância de uma rede de assistência contínua, capaz de identificar gestantes com risco, garantir acesso a leitos adequados e oferecer suporte após a alta hospitalar. As consequências da prematuridade podem envolver desafios respiratórios, neurológicos, alimentares e de desenvolvimento, que exigem acompanhamento até pelo menos dois anos de vida. O monitoramento sistemático permite identificar sinais precoces, orientar famílias e intervir no momento oportuno. Ao ampliar a conscientização e fortalecer práticas de prevenção e cuidado, a campanha contribui para reduzir a mortalidade neonatal e melhorar a qualidade de vida das crianças nascidas prematuramente.

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