Ao longo deste mês, a campanha Março Amarelo reforça a importância da conscientização sobre a endometriose, uma condição inflamatória crônica que afeta milhares de mulheres no Brasil e no mundo. A iniciativa tem como objetivo informar, sensibilizar e incentivar o diagnóstico precoce da doença, promovendo uma melhor qualidade de vida para as pacientes.
A endometriose é uma das doenças ginecológicas mais complexas e desafiadoras, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. Apesar de sua alta prevalência, o diagnóstico tardio e as dificuldades no acesso ao tratamento continuam sendo desafios significativos. “O movimento Março Amarelo desempenha um papel essencial na conscientização sobre essa condição, ressaltando a importância do reconhecimento precoce dos sintomas e da assistência médica adequada”, enfatiza a médica Kathiane Lustosa, que recentemente esteve na Mayo Clinic, um dos centros médicos mais respeitados do mundo, localizado no Arizona, Estados Unidos, para palestrar sobre esse tema e outros assuntos relacionados à saúde feminina.
Nos últimos anos, avanços significativos foram alcançados na compreensão dos mecanismos inflamatórios e imunológicos envolvidos na endometriose, abrindo caminho para novas abordagens terapêuticas. Estudos recentes indicam que biomarcadores plasmáticos podem viabilizar um diagnóstico menos invasivo, reduzindo a necessidade de procedimentos cirúrgicos exploratórios. Além disso, inovações tecnológicas, como a cirurgia robótica, estão aprimorando os resultados cirúrgicos, oferecendo maior precisão e recuperação mais rápida para as pacientes. Outro aspecto promissor é a investigação da relação entre a microbiota intestinal e a endometriose, que pode representar um novo alvo terapêutico no futuro.
“Os impactos da endometriose vão muito além dos sintomas físicos. A dor crônica, as dificuldades para engravidar e a falta de compreensão sobre a doença geram desafios emocionais e profissionais para as pacientes. Muitas mulheres enfrentam preconceito e desinformação, o que pode dificultar ainda mais o diagnóstico e o tratamento adequado”, explica a Dra. Kathiane, que é diretora da Clínica Salvata e do Instituto Salvata de Educação, ao lado das médicas Andreisa Bilhar e Sara Arcanjo. “Por isso, iniciativas como o Salvata Experience, evento sobre saúde feminina voltado para profissionais da área, que ocorrerá nos dias 28 e 29 de março, em Fortaleza, são fundamentais para fomentar o debate e disseminar informação qualificada”, complementa a Dra. Kathiane.
“Discutir a endometriose é um compromisso com o avanço da medicina e com o bem-estar feminino. A conscientização e a disseminação de informação de qualidade são essenciais para que mais mulheres tenham acesso ao diagnóstico precoce e a tratamentos eficazes. Somente com educação e investimento em pesquisa será possível garantir um futuro com mais qualidade de vida para aquelas que convivem com essa condição”, conclui a profissional.