O IV Festival Afrocearensidades chega à quarta edição com o tema “Erguer sonhos e ancestralizar futuros”, propondo uma reflexão sobre a construção de novas perspectivas para a população negra cearense. Realizado ao longo de novembro, o IV Festival Afrocearensidades é uma iniciativa do Governo do Ceará, realizada por meio da Secretaria da Igualdade Racial (Seir) e da Secretaria da Cultura (Secult Ceará), em parceria com o Instituto Mirante de Cultura e Arte e o Instituto Dragão do Mar (IDM). Ao longo do mês de novembro, serão realizadas atividades culturais, formativas e institucionais em diferentes territórios do Estado, com foco na valorização da ancestralidade, no combate ao racismo e na promoção da justiça racial. Este ano, a identidade visual do evento é assinada pelo artista M. Dias Preto.
A programação contempla mais de 150 ações, entre shows, discotecagens, palestras, lançamento de livros, rodas de conversa, oficinas e cursos, apresentações de dança e teatro, exibição de curtas, exposições e muito mais. Também estão previstas atividades de gastronomia, feiras de empreendedorismo negro, atividades educativas para crianças e oferta de serviços públicos, ampliando as oportunidades de participação e valorização das comunidades negras cearenses.
Com o tema “Erguer sonhos e ancestralizar futuros”, o Festival Afrocearensidades 2026 propõe compreender o sonho como ponto de partida para planejar e construir futuros possíveis. O evento convida à construção do presente sobre as bases da prosperidade social, cultural, econômica e intelectual da população negra cearense, conectando a memória e a herança ancestral à imaginação de futuros possíveis.
“Estamos propondo uma reflexão coletiva de que o sonho deixa de ser um campo mais abstrato, para se tornar tecnologia política, de planejamento, voltada para a emancipação e liberdade coletiva do povo negro”, afirma Zelma Madeira, secretária da Igualdade Racial do Ceará. Para a gestora, o festival também representa uma oportunidade de ampliar o reconhecimento da presença negra na história do estado e valorizar a diversidade de seus saberes e fazeres.
Para Gecíola Fonseca, secretária da Cultura do Ceará, o festival também destaca a contribuição da cultura negra para a formação do Estado: “A programação faz parte de uma política pública ampla, que visa aprimorar tecnologias e mecanismos legais de promoção da igualdade e da equidade racial no Estado do Ceará. O Festival traz ampla programação voltada à fruição, difusão, formação, cidadania e defesa de direitos, com foco não só na representatividade e na visibilidade negra cearense, mas principalmente no potencial criativo e nas diferentes formas de re-existir contra a desumanização e a violência racial”, afirma a secretária.
Nesse sentido, a narrativa conceitual desta edição se expressa na própria identidade visual do festival, assinada pelo artista M. Dias Preto, que sintetiza o encontro entre território, resistência e proteção. Elementos como o fuxico demarcam a territorialidade e a sabedoria do artesanato cearense; o carcará simboliza a resiliência e a capacidade de sobrevivência no sertão; e a figura central da mulher-arraia atua como entidade de passagem, irradiando a energia dos saberes ancestrais para as próximas gerações. Além disso, símbolos como a Seta Sankofa reforçam a premissa de aprender com o passado para edificar o amanhã.
“Pensar o futuro e o sonho faz parte da minha trajetória como artista. Como um gay negro vindo da periferia de Fortaleza, muitas vezes, foi o sonho que me permitiu acreditar no futuro. Na identidade visual do festival, busquei unir a cultura cearense às minhas ancestralidades afro e indígena. O mar, presente nas cores e texturas, e as figuras híbridas entre o humano e o animal expressam essa conexão, enquanto a combinação de ilustração digital, fotografia e colagem reflete a diversidade das nossas produções artísticas. Por meio da arte, reafirmamos nossa presença no Ceará e reivindicamos o direito de construir futuros a partir da nossa própria história e herança ancestral”, afirma M. Dias Preto.
Cultura, formação e participação social
O IV Festival Afrocearensidades é realizado em articulação com diferentes instituições públicas e representantes da sociedade civil. A iniciativa reúne secretarias estaduais, prefeituras, as organizações sociais Instituto Dragão do Mar e Instituto Mirante de Cultura e Arte, coletivos da sociedade civil, Universidade Federal do Ceará (UFC), Instituto Federal do Ceará (IFCE) e Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), além da Defensoria Pública, Ministério Público do Trabalho e Casa da igualdade Racial de Fortaleza.
Entre os eixos temáticos estão o fortalecimento institucional das políticas de igualdade racial; a produção cultural protagonizada por pessoas e grupos negros; a formação por meio de palestras, seminários, rodas de conversa e lançamentos de livros; a gastronomia; as feiras de produtos artesanais e iniciativas empreendedoras; as atividades educativas para crianças; e a oferta de serviços públicos, incluindo ações de atendimento à população.
Realizado desde 2023, o Festival Afrocearensidades acumula 578 ações nas três primeiras edições, com iniciativas voltadas ao reconhecimento da cultura negra, à valorização de suas expressões e ao fortalecimento das políticas de igualdade racial em todo o Ceará.
Acesse a programação completa!
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