Iniciativa do Grupo Mulheres do Brasil, o Movimento Juntos Contra o HPV, projeto apoiado pelo programa Juntos Pela Saúde, registrou, no Ceará, mais de 162 unidades de saúde beneficiadas, 1.160 profissionais de saúde envolvidos e 210.865 beneficiários indiretos (mulheres de 24 a 65 anos e pessoas de 9 a 14 anos). Os resultados foram acompanhados durante uma etapa de monitoramento realizada em São Gonçalo do Amarante e Caucaia (CE), que reuniu representantes do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) e apoiadores da iniciativa.
A agenda incluiu visitas a unidades de saúde, entrevistas com gestores e profissionais, grupos focais e acompanhamento de ações de vacinação, rastreamento e busca ativa. “O projeto atua em três frentes: ampliação da vacinação contra o HPV, aumento da cobertura de rastreamento do câncer do colo do útero e fortalecimento da continuidade do cuidado para pessoas com exames alterados ou pertencentes a grupos de risco”, explica Flávia Belmino, gestora do Movimento Juntos Contra o HPV.
O projeto atua em 10 municípios cearenses: Apuiarés, Caucaia, General Sampaio, Itapajé, Paracuru, Paraipaba, Pentecoste, São Gonçalo do Amarante, São Luís do Curu e Tejuçuoca. Entre os principais resultados está o avanço da cobertura vacinal contra o HPV, que chegou, em média, a 90,5% em nove municípios, no primeiro semestre de 2026. Cinco deles — São Gonçalo do Amarante, São Luís do Curu, General Sampaio, Tejuçuoca e Paraipaba — alcançaram individualmente a faixa de 90%.
“O monitoramento dos indicadores quantitativos, mostra que o projeto tem apoiado e fortalecido o SUS, no que se refere aos serviços de cuidado para a prevenção do câncer de colo de útero nos territórios atendidos. A visita técnica revelou que a melhora no desempenho dos indicadores é resultado de um conjunto de atividades não quantificáveis, como presença e escuta ativa, compreensão das especificidades locais e respectiva adaptação em metodologias de formulação e implementação de ações. Ao incrementar fluxos e práticas de profissionais da saúde e ao promover a cultura do autocuidado de mulheres e meninas, a iniciativa contribui para a valorização e eficiência da saúde pública”, afirma Alê Almeida, Gerente de Monitoramento e Avaliação do Programa Juntos pela Saúde.
Estratégias
Para apoiar as equipes municipais, a iniciativa estruturou ferramentas de gestão e monitoramento. O Observatório do Grupo Mulheres do Brasil, desenvolvido a partir do Juntos Contra o HPV, reúne indicadores de vacinação e rastreamento, enquanto o Painel Tech auxilia os profissionais no acompanhamento dos dados e na identificação de lacunas que podem orientar ações de busca ativa.
Outro eixo foi a formação de multiplicadores comunitários, envolvendo agentes comunitários de saúde, profissionais da educação e representantes das comunidades. A estratégia busca ampliar a mobilização local, fortalecer ações educativas e aproximar a prevenção do HPV da rotina das famílias e dos serviços públicos.
Em Caucaia, a etapa de monitoramento incluiu ainda uma visita ao território indígena Tapeba, no Polo Base Potyrõ, vinculado ao Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Ceará – onde também foram treinados multiplicadores – além de uma escola com ações relacionadas ao Programa Saúde na Escola (PSE) e ao UNICEF.
“A etapa de monitoramento representa um momento importante para consolidar aprendizados e identificar os avanços e desafios encontrados durante a execução do projeto. As informações coletadas serão consideradas no processo de avaliação da iniciativa antes de seu encerramento”, conclui Flávia Belmino, gestora do Movimento Juntos Contra o HPV.
Movimento Juntos Contra o HPV
Criado em 2022, em Recife, o Movimento Juntos contra o HPV surgiu a partir de uma iniciativa voluntária do Grupo Mulheres do Brasil voltada à educação e conscientização sobre o vírus. A iniciativa chegou ao Ceará em 2024 e passou a integrar as ações do projeto Unidos pela Eliminação do Câncer do Colo do Útero no Brasil, financiado pelo BNDES e Umane, com gestão do IDIS.
No Ceará, o movimento atua em 10 municípios — Caucaia, Itapajé, Tejuçuoca, Pentecoste, Apuiarés, General Sampaio, São Gonçalo do Amarante, Paracuru, Paraipaba e São Luís do Curu – articulando poder público, instituições de ensino, profissionais de saúde, organizações da sociedade civil e lideranças comunitárias em ações de vacinação, educação em saúde, rastreamento e mobilização social.
Sobre o Grupo Mulheres do Brasil
Fundado em 2013, o Grupo Mulheres do Brasil é uma organização da sociedade civil, liderado por Luíza Helena Trajano, que visa unir mulheres para a transformação social e econômica do Brasil. Presente em 21 países, com mais de 142 mil associadas, a instituição atua em áreas como combate à violência contra a mulher, artesanato, empreendedorismo, educação, saúde e políticas públicas, promovendo o protagonismo feminino e a transformação social.
