A Geração Z vem desenhando uma nova maneira de comprar no varejo. Pesquisas internacionais da McKinsey indicam que os nascidos entre os primeiros anos da década de 1990 e o início dos anos 2010 são os que mais utilizam serviços de entrega de supermercados e alimentos, entre todas as faixas etárias, demonstrando disposição para pagar mais por conveniência quando percebe valor na experiência de compra.
Diferentemente da maioria das gerações anteriores, a população de 14 a 29 anos pesquisa preços pelo celular antes de ir às compras, descobre produtos nas redes sociais, valoriza marcas locais, acompanha resenhas de influenciadores digitais, prioriza alimentos saudáveis e práticos, e transita com naturalidade entre o ambiente físico e o digital.
Esse movimento já tem influenciado as decisões estratégicas de supermercados em todo o Brasil. Estudos recentes apontam que a jornada de compra deixou de ser linear, pois hoje o consumidor pode descobrir um produto no TikTok ou Instagram (muito utilizados por adolescentes e jovens adultos), pesquisar avaliações em mecanismos de busca e concluir a compra por aplicativo ou na loja física. Um aspecto curioso, apontado pelo relatório “Perspectiva do Consumidor: Guia para 2026”, da NIQ, é que apesar de os canais digitais terem avançado, cerca de três quartos das vendas de bens de consumo ainda acontecem nas lojas físicas, que continuam sendo o principal ponto de contato com o cliente.
O comportamento da Geração Z tem impulsionado categorias específicas dentro dos supermercados, como produtos voltados à saúde e ao bem-estar, que registraram forte expansão em 2025 (indica levantamento da McKinsey com base em dados da Scanntech). A creatina, por exemplo, teve crescimento de 89% em volume de vendas, enquanto o whey protein avançou 124%. Já os iogurtes proteicos cresceram 16%, refletindo a busca por alimentos que conciliem conveniência e valor nutricional.
O diretor executivo da Rede Uniforça, Sérgio Bezerra, conta que o setor supermercadista precisou, sim, ampliar seu olhar sobre as expectativas do consumidor jovem. “Essa faixa etária chega ao supermercado muito bem informada e conectada, porque acompanha as tendências nas redes sociais, e também valoriza a praticidade. São consumidores em busca de produtos que façam sentido para o seu estilo de vida, e isso demanda estarmos em constante adaptação, tanto no mix de produtos a oferecer, quanto na forma de nos relacionarmos com esse cliente”, comenta.
Segundo o diretor, essa transformação vai além da oferta de novos itens nas gôndolas. Agora, é preciso proporcionar uma experiência completa: “Investir em canais digitais, aplicativos, programas de fidelidade, estabelecer uma comunicação acertada nas redes sociais e garantir sortimento que acompanhe essas tendências do comer saudável, dos produtos regionais, trazer lançamentos que despertem interesse entre os mais jovens… Eles influenciam não só pelo que compram para si, mas também pelo que toda a família passa a consumir.”
Outro aspecto observado pela Rede Uniforça é a redução da fidelidade às marcas. Estudo sobre o setor supermercadista mostra que o consumidor está mais estratégico, mais sensível à relação custo-benefício e disposto a experimentar novos produtos quando percebe maior valor, tendência que se intensifica entre os mais jovens.
Para a associação supermercadista, compreender o cenário é fundamental para manter uma oferta competitiva. A combinação entre conveniência, inovação, alimentação saudável, presença digital e valorização de fornecedores locais deve continuar moldando a evolução do setor nos próximos meses e anos, acompanhando consumidores que compram com maior planejamento e informação
