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Coração de torcedor sofre mesmo? Especialista explica o que acontece no organismo durante uma partida decisiva

por Vicente Araújo

A Copa do Mundo de 2026 começa oficialmente esta semana e, junto com ela, chega uma velha conhecida dos brasileiros: a montanha-russa de emoções que acompanha cada jogo, especialmente os da seleção brasileira. Ansiedade antes do apito inicial, nervosismo durante os lances decisivos, explosões de alegria nos gols e momentos de frustração a cada oportunidade perdida de balançar as redes. Mas será que essas emoções afetam verdadeiramente o coração de quem torce? Segundo especialistas, a resposta é sim.

De acordo com o cardiologista da Hapvida, Maurício Macias, as emoções intensas vividas por torcedores durante uma partida provocam reações fisiológicas reais no organismo. “Durante um jogo de futebol, o torcedor pode passar por emoções muito intensas, desde uma alegria extrema até ansiedade, estresse ou raiva. Essas emoções provocam a liberação de adrenalina e outras substâncias que levam ao aumento da pressão arterial, elevação da frequência cardíaca e até arritmias”, explica.

O fenômeno acontece porque o organismo interpreta determinados momentos da partida como situações de alerta. Quando isso ocorre, entra em ação o chamado sistema nervoso simpático, responsável por preparar o corpo para situações de emergência. Como consequência, o coração bate mais rápido e com mais força. “É exatamente por isso que muitas pessoas relatam a sensação de que o coração está saindo pela boca durante uma cobrança de pênalti ou um lance decisivo. O cérebro entende aquela situação como emocionalmente muito importante e libera substâncias como adrenalina, noradrenalina e dopamina, que colocam o corpo em estado de alerta máximo”, afirma o especialista.

Além do aumento dos batimentos cardíacos, a pressão arterial também pode subir significativamente durante uma partida. Segundo Maurício Macias, a combinação entre estresse emocional e descarga de adrenalina provoca um aumento do volume de sangue bombeado pelo coração, ao mesmo t

empo em que os vasos sanguíneos ficam mais contraídos. “O resultado é mais sangue circulando contra vasos mais estreitos, o que favorece a elevação da pressão arterial. Em pessoas saudáveis, isso normalmente não traz consequências mais graves. Mas em quem já possui hipertensão, doença coronariana, arritmias ou outros problemas cardíacos, o risco aumenta consideravelmente”, alerta.

CUIDADOS: Por isso, os especialistas recomendam atenção especial aos torcedores que já convivem com doenças cardiovasculares. Nesses casos, a combinação entre fortes emoções e fatores de risco pode funcionar como gatilho para eventos mais graves, incluindo infartos e complicações cardíacas.

Outro fator que merece atenção durante a Copa é o tradicional combo de bebidas alcoólicas, energéticos e alimentos gordurosos consumidos durante os jogos. Segundo o cardiologista, essa associação pode aumentar ainda mais a sobrecarga sobre o organismo. “Imagine um corpo já submetido a uma intensa descarga de adrenalina, em estado de alerta, associado a fatores de risco como hipertensão, diabetes ou doença coronariana. Quando se acrescenta álcool em excesso, energéticos e alimentação muito gordurosa, cria-se um cenário extremamente desfavorável para o sistema cardiovascular”, destaca.

Para os torcedores que possuem alguma condição cardíaca, a orientação é manter os cuidados médicos em dia durante o período da competição. Isso inclui tomar corretamente os medicamentos prescritos, evitar excessos, manter-se hidratado e procurar alimentação mais leve durante as partidas.

Além disso, alguns sinais exigem atendimento médico imediato. Dor ou aperto no peito, falta de ar, tontura, desmaios, suor frio e sensação intensa de mal-estar não devem ser ignorados. “A emoção faz parte da experiência de torcer. O importante é que as pessoas aproveitem esse momento com responsabilidade. Com os cuidados adequados, é possível vibrar com a seleção sem colocar a saúde em risco”, conclui Maurício Macias.

Foto: Divulgação

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