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Dragão Nazárea em celebração aos 120 anos do Poço da Draga

por Vicente Araújo

No dia 24 de maio, domingo, o programa Dragão Nazárea realiza uma edição especial em celebração ao aniversário de 120 anos da comunidade Poço da Draga, ocupando o Pavilhão Atlântico e outros espaços do território com uma programação gratuita que reúne memória, música, arte urbana, dança, economia criativa e ações de cuidado coletivo. Realizado pelo Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, por meio do Núcleo de Articulação Territorial (NAT), o programa tem o objetivo de promover o protagonismo dos territórios periféricos e suas expressões culturais a partir de ações construídas em diálogo com as comunidades.

 

Das 8h às 17h, artistas do graffiti ocupam um muro no interior da comunidade com intervenções urbanas que celebram a memória, a identidade e a potência criativa do Poço da Draga. Já a partir das 9h, o Pavilhão Atlântico recebe a Roda de Capoeira Mestre Tubarão, reunindo praticantes, mestres e público em um momento de celebração da cultura afro-brasileira.

 

A programação musical começa às 13h30, com apresentação de Júnior Panthera & Samba Brasil em um encontro de sambistas de Fortaleza, que promovem uma grande roda de samba no Pavilhão Atlântico. Em seguida, às 15h, o Bloco Filhos de Iracema toma conta do palco localizado no calçadão da praia com cortejo e apresentações. Entre 16h e 21h, os visitantes podem visitar a barraquinha de redução de danos, realizada em parceria com o Hub Cultural Porto Dragão, reforçando ações de cuidado, acolhimento e conscientização durante o evento.

 

A partir das 16h, o calçadão da praia recebe a Feirinha do Poço, que reúne iniciativas de economia criativa, artesanato, gastronomia e produções autorais da comunidade e de artistas convidados. No mesmo horário, acontece no Pavilhão Atlântico um momento de escuta com moradores e moradoras da comunidade sobre a proposta de mudança do nome da Praça Almirante Saldanha para uma homenagem a Matilde Maria da Conceição, mãe de Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar. O encontro busca promover um espaço de diálogo e escuta coletiva em torno da memória, do pertencimento e das narrativas que atravessam a história do território. Já às 16h30, acontece no calçadão da praia o programa Passinho do Havaizinho, celebrando a dança urbana e as expressões periféricas contemporâneas.

 

Das 17h30 às 18h30, a programação presta homenagem às quadrilhas juninas que marcaram a história do Poço da Draga, como Fina Flor de Iracema e Estação Junina. E encerrando a programação, das 19h às 22h, o público acompanha o show de Vanessa, A Cantora, artista conhecida por sua trajetória nos palcos da música popular e do forró na capital cearense.

 

Nazárea

Inspirado e construído com as comunidades vizinhas ao centro cultural, a nomenclatura do Dragão Nazárea toma como referência o termo “NAZAREA”, expressão usada para afirmar pertencimento e reconhecer a potência das redes locais. Assim, está alinhado ao público-alvo do programa que são as juventudes, artistas e moradores das periferias de Fortaleza, valorizando talentos dos territórios, gerando visibilidade, circulação e incentivando a economia criativa. A ação já contou com articulação de territórios como Moura Brasil, Sapiranga, Messejana e Pirambu.

 

Dragão no Território

Ao longo dos anos, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura vem fortalecendo sua relação com os territórios vizinhos, especialmente o Poço da Draga, por meio do Núcleo de Articulação Territorial (NAT), reconhecendo a comunidade como parte fundamental de sua história, de suas memórias e de sua atuação cotidiana. Em 2025, por exemplo, esse vínculo ganhou ainda mais visibilidade quando a celebração dos 26 anos do Dragão do Mar aconteceu no Poço da Draga, a partir de um movimento que já vinha sendo construído: o de uma instituição que amplia seus horizontes, se desdobra em novos palcos e projeta suas ações para além de seus muros.

“O Centro Dragão do Mar entende que sua atuação não se encerra nos limites físicos do equipamento. Construir uma relação contínua com o Poço da Draga é reconhecer que a cultura nasce também das vivências, das memórias e dos saberes das pessoas que estão neste território. Quando ampliamos nossas ações para além dos nossos espaços, fortalecemos a ideia da cultura como direito, como encontro e como ferramenta de transformação coletiva. O Poço da Draga faz parte da história do Dragão do Mar, e seguimos construindo essa trajetória de forma compartilhada, ouvindo, dialogando e criando junto com quem vive o território diariamente”, destaca Camila Rodrigues, superintendente do Centro Dragão do Mar.

Entre as ações desenvolvidas em parceria com a comunidade, destaca-se o fortalecimento do audiovisual local. A partir da Rede Telas Plurais — iniciativa realizada pelo NAT em parceria com o Cinema do Dragão — o coletivo Cine Formosa, do Poço da Draga, participou de oficinas voltadas à formação de cineclubes. Além das atividades formativas, o grupo recebeu kits com equipamentos de projeção, incluindo projetor, tela e caixa de som, ampliando as possibilidades de exibição audiovisual no território.

Ainda na área do audiovisual comunitário, o projeto Se Achegue! Cinema na Praça! realiza sessões gratuitas de cinema ao ar livre, uma vez por mês, aproximando o público do território da experiência cinematográfica em espaços compartilhados. A ação é realizada em parceria entre o Cinema do Dragão e o NAT.

Outra ação importante é o Expresso Dragão Draga, percurso socio-histórico que convida o público a conhecer as narrativas, memórias e vivências do Poço da Draga a partir do olhar de quem habita o território. A atividade fortalece o reconhecimento da comunidade como espaço de patrimônio, resistência e produção cultural viva.

O programa Galera Dragão também integra essa política de aproximação territorial, promovendo ações de fomento ao empreendedorismo por meio da inclusão de trabalhadoras e trabalhadores do Poço da Draga — especialmente do ramo de bebidas e alimentação — em eventos realizados pelo Centro Dragão do Mar.

A política de gratuidade adotada pelo equipamento também contribui diretamente para o acesso da comunidade às atividades culturais, garantindo entrada gratuita para diversas programações do teatro, cinema, planetário e shows promovidos pelo CDMAC.

Já o Nat Divas promove atividades artístico-culturais e ações de autocuidado voltadas especialmente para mulheres das comunidades vizinhas, criando espaços de convivência, fortalecimento coletivo e troca de experiências.

Encerrando o ano, o Natal Comunitário reúne guardiões e guardiãs da memória do Poço da Draga, da Graviola e do Moura Brasil em um encontro marcado pela celebração, pela escuta e pela valorização das histórias e afetos que atravessam esses territórios.

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