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Dermatite seborreica vai além da “caspa” e exige controle contínuo

por Vicente Araújo

A dermatite seborreica é uma condição inflamatória crônica da pele que atinge principalmente áreas ricas em glândulas sebáceas, como couro cabeludo e face. Popularmente conhecida como “caspa”, a doença vai além da descamação comum e pode impactar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

De acordo com a médica tricologista Fernanda Cassain, a condição não é contagiosa, não está relacionada à falta de higiene e pode surgir em diferentes fases da vida.

“Dermatite seborreica não é falta de higiene. É uma reação inflamatória da pele em áreas naturalmente mais oleosas”, explica a especialista.

A dermatite seborreica está associada a uma resposta inflamatória ao fungo Malassezia, que faz parte da flora normal da pele. O quadro se desenvolve quando há combinação de fatores como predisposição individual, aumento da oleosidade, alteração da barreira cutânea e resposta inflamatória exacerbada.

No couro cabeludo, os sintomas incluem descamação branca ou amarelada, coceira, ardor e vermelhidão. Em casos mais intensos, podem surgir placas espessas e inflamação visível.

Crises podem ser desencadeadas por estresse, alterações hormonais, privação de sono e mudanças climáticas.

Face

Na face, as regiões mais afetadas costumam ser sobrancelhas, sulcos ao lado do nariz, região da barba, entre as sobrancelhas e atrás das orelhas. Por apresentar vermelhidão e descamação, a doença pode ser confundida com alergias, rosácea ou sensibilidade cutânea.

“É uma doença inflamatória crônica, não apenas caspa. O diagnóstico correto é fundamental para evitar tratamentos inadequados”, destaca Fernanda Cassain. Embora não seja considerada grave, a dermatite seborreica é crônica e recorrente. Isso significa que não há cura definitiva, mas é possível controlar os sintomas.

O tratamento pode incluir shampoos antifúngicos, medicamentos tópicos anti-inflamatórios, reguladores da oleosidade e terapias específicas em casos selecionados.

“O uso indiscriminado de corticoides pode trazer melhora inicial, mas piorar o quadro a longo prazo. O ideal é uma avaliação médica individualizada para definir a melhor estratégia de controle.”

A condição pode ser mais frequente em pessoas com doenças neurológicas ou imunossupressão, mas na maioria dos casos ocorre em indivíduos saudáveis. Diferentemente da psoríase, não é considerada uma doença inflamatória sistêmica associada a risco cardiovascular aumentado.

A orientação é buscar avaliação médica quando houver coceira intensa, vermelhidão persistente, falha com tratamentos comuns ou dúvida diagnóstica.

Segundo a tricologista, o acompanhamento adequado é essencial para garantir controle eficaz e qualidade de vida. “Controle é possível, mas exige abordagem médica adequada e acompanhamento contínuo.”

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